
Adoro livros de História que falam de várias coisas e não só daquela História velha, chata e poeirenta que se aprende na escola.
Graças a Deus a Nova História (originalmente a Nouvelle Histoire) mudou todo o sentido da História, que perdeu o ar de "ciência exata" para se tornar ciência humana. E toda a produção humana, tanto material como intelectual (hábitos, valores, crenças, religiões, artes, culturas, tradições orais, etc.) é base para a investigação e produção do saber histórico. Um saber que privilegia o ser humano, ou seja, cada pessoa que já viveu, cada um de nós que vive hoje e cada um dos nossos filhos que viverão e construirão o futuro.
Tantos leques se abriram depois da Revista Les Annales d´ Histoire Économique et Sociale publicada em 1929, por Lucien Febvre e March Bloch, e por tantos livros escritos por grandes nomes desta História (como Fernand Braudel, que chegou a dar aulas no departamento de História aqui da USP, Jacques Le Goff...). A famosa Revista dos Annalles, que deu nome a este grupo de intelectuais maravilhosos que finalmente se tocaram que o tempo não tem que ser, necessariamente linear, por exemplo, se você considerar a independência do Brasil em 22 de setembro de 1822 como o Brasil de um jeito, e imediatamente no dia 23, o Brasil de outro, estará cometendo um grande engano. Mudanças levam tempo (e nós sabemos!), nada muda de um dia para o outro, e o novo, vai por assim dizer, se infiltrando no antigo, até superá-lo. Mas as vezes acontecem mudanças repentinas, conhecidas como "quebras" de estruturas, pelo poder que têm de bagunçar o coreto todo...
Aqui nas terras tupiniquins, você pode ler autores desta vertente, como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda, o grande Fernando Novais, meu querido professor lá da História, José Sebastião Witer, e de outros queridos mestres e mestras, como a Laura de Mello e Souza, de uma cultura imensa, Maria Aparecida de Aquino, minha "ídola", e o meu favorito entre todos em todos os tempos, Nicolau Sevcenko...Aff, desencavei...
Bom, mas este post não é sobre filosofia da História, por mais que eu adore o assunto (ai ai que saudade da faculdade...), e sim sobre o esplêndido trabalho deste homem.
Roy Strong ainda vive, é inglês, historiador da arte, foi curador do Victoria e Albert Museum em Londres, e diretor do National Portrait Gallery. Foi sagrado cavaleiro (Sir) em 1982.
Publicou, em 1999, The Spirit of Britain: A Narrative History of the Arts, um alentado trabalho de 700 páginas de história da arte inglesa e, em 2005, Coronation: A History of Kingship and the British Monarchy. São seus livros mais conhecidos (pelo menos por mim.)
Anglicano, hoje Sir Roy vive em sua propriedade em Hereford, onde cultiva um maravilhoso jardim, um dos maiores jardins clássicos do pós guerra que existem na Inglaterra. Tem um cargo solene nos serviços religiosos da Abadia de Westminster, (high steward). Deu várias entrevistas sobre assuntos diversos, dizem que gosta de moda e de se vestir bem e seus diários causaram furor quando foram publicados após sua saída dos museus onde fora curador...Enfim, uma figura.
Talvez, por tudo isso, este livro seja assim tão interessante...Ainda mais porque fala sobre comida, quer assunto melhor??
O menor preço que eu encontrei foi na FNAC (R$ 48,60), nas outras grandes livrarias oscila na faixa dos 55 aos 60 reais.
"O que acontece quando nos reunimos para jantar? Mais do que apenas comer, acredita o historiador Roy Strong, que nesse Banquete analisa cinco milênios de refeições cerimoniais — dos antigos babilônios até os dias atuais —, mostrando como os costumes que cercam os grandes jantares espelham de maneira privilegiada a estrutura social.
Tendo como foco aquela que durante séculos foi a principal refeição do dia, o jantar, o autor examina, apoiado em narrativas literárias e farto material iconográfico, o desenvolvimento das maneiras à mesa.
O tema central de Banquete é a conexão entre o que acontece às refeições e a estrutura da sociedade, mostrando como o ritual que cerca a alimentação é um teatro no qual se representam de maneira clara a estratificação social e as relações de poder.
Ao mesmo tempo erudito e cheio de curiosidades, esse livro — ilustrado com gravuras e quadros consagrados — reúne todos os ingredientes que contribuem para o fenômeno das refeições cerimoniais e recupera detalhes que ganham significado e desvelam um dos mecanismos sociais mais eficazes da hierarquização em classes no Ocidente."
Fonte: Blog Cultura & Devaneios, clique aqui para ir lá.







Muito interessante esta indicação.
Quero convidá-la a participar do evento de cardápio de final de ano no Idéias. Conto com sua partipação
Pode deixar, Márcia, tô pegando o jeito desse negócio de evento em blog...
obrigada e venha sempre.