É comemorado hoje. Talvez comemorar não seja o melhor nome, pois estima-se que hoje aproximadamente 200 milhões de crianças no mundo todo estejam envolvidas em algum tipo de trabalho.

Segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho) 75 milhões de crianças em todo o mundo não têm acesso à educação básica, e menos da metade dos que deveriam estar no ensino médio freqüentam a escola.

"Devemos trabalhar para que toda criança tenha direito à educação e para que não deva trabalhar para sobreviver", afirmou o diretor-geral da OIT, Juan Somavia.

Mais de 100 milhões das crianças que trabalham estão no setor agrícola, em zonas rurais onde o acesso às escolas e a disponibilidade de professores e meios é muito limitado, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Esta é uma realidade que atinge principalmente os países em desenvolvimento, e o Brasil não fica atrás. Pior ainda, é saber que as meninas são as que trabalham mais do que os meninos.

Segundo dados do Unicef, na América Latina, 90% de todos os menores que trabalham como ajudantes domésticos são meninas...Quando uma família precisa decidir entre mandar um menino ou uma menina para escola, geralmente ele vai e ela fica trabalhando. Mais uma injustiça contra a mulher, que começa cedo.

A causa de tudo isso? A pobreza, que nivela por baixo a vida das pessoas. Que obriga uma família a ter praticamente todos os seus membros trabalhando para que possam sobreviver, e mesmo assim, muitas vezes sem a devida dignidade.

A pobreza, que impede o acesso ao sistema educacional, que coloca nas ruas dos grandes centros urbanos as crianças a serviço do tráfico de drogas e da prostituição, e na zona rural, nas mais difíceis condições de insalubridade e insegurança. Crianças que são escravizadas, usadas em conflitos armados, e o chamado "trabalho artístico", que supostamente não seria uma exploração infantil, mas é.

Segundo a pesquisa PNAD 2005 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE) o Brasil tem 2,5 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 15 anos trabalhando, praticamente 7% da sua população nessa faixa etária.

Lamentável cenário que precisamos mudar para melhor. Batalhar pelo acesso universal a uma escola de qualidade, pública, para todos é o primeiro passo.

Apoiar iniciativas, quer do governo, de ongs, de entidades de classe, enfim, encontrar os meios para colaborar cada vez mais ativamente contra o trabalho infantil para que, em breve, não exista mais este dia de combate ao trabalho infantil, simplesmente por que todas as crianças do mundo estarão bem, com saúde, escola, família e amor. Não seria lindo?